Wednesday, December 10, 2008

Litany

Ladainha dos póstumos Natais

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que hão-de me lembrar de modo menos nítido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que não viva já ninguém meu conhecido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem vivo esteja um verso deste livro

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que terei de novo o Nada a sós comigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem o Natal terá qualquer sentido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do Infinito


David Mourão-Ferreira, in "Cancioneiro de Natal"


Rough translation:

There will come a Christmas and it will be the first
in which one will see my empty seat at the table

There will come a Christmas and it will be the first
in which I'll be remembered less clearly

There will come a Christmas and it will be the first
in which only a voice will evoke me alone with it

There will come a Christmas and it will be the first
in which no one I knew is alive anymore

There will come a Christmas and it will be the first
in which not even a verse in this book is alive

There will come a Christmas and it will be the first
In which I'll have Nothingness again with me

There will come a Christmas and it will be the first
in which not even Christmas will have any meaning anymore

There will come a Christmas and it will be the first
in which Nothingness will again become the hue of Infinity

David Mourão-Ferreira, in "Cancioneiro de Natal"

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